#meditar? deve ser tão bom! (mas não sou capaz)

. “eu bem vejo quem medita; as pessoas com aquele ar sereno, olhos fechados, respiração tranquila.  mas, caramba,  eu tento! sento-me, fecho os olhos e palavra que até me oiço a respirar… por cinco segundos … dali para a frente, ui, lá se foi a meditação!”

.  é-te familiar esta conversa contigo/a mesmo/a?

. até queres mudar isto, mas não vislumbras solução?

. então vem daí .

. inscrições no Cowork da Praia .

my meditation march

# Não sou capaz de meditar

Uma frase que ouço tantas vezes.
Parece tão difícil! Quando observamos quem medita e vemos aquela paz, aquela serenidade! Claro que também queremos.
E tentamos.
Nem cinco minutos e já nos dói tudo, inclusivamente a alma e a cabeça, de tanto tentar não pensar.
Pronto. Se calhar, não sou capaz de meditar…

E assim nasceu este Workshop.

Workshop Meditar

Vamos lá?
Ver o que é isto de “meditar”. O que é isto de que tanta gente fala como uma forma de bem estar e que não consigo fazer?

Aqui fica a página do Facebook do Cowork da Praia, onde nos vamos encontrar.
Combinado?

#ecos

Lisboa, 16 de Julho de 2005

16H49

Observo-me neste escuro imenso em que me encontro. Não tenho referências, não tenho objetivos, não tenho nada. 

Esta felicidade de nada temer, ou de tudo temer, revolve-se cá dentro como um caos; sem ordem, sem disciplina, porém, com energia. 

Há de tudo a acontecer no mundo. Bombas a explodir, incêndios a deflagrar, crianças, homens e mulheres a morrer. E eu nada sinto. 

Vazio total e absoluto; mesmo que faça tudo, mesmo que esteja ativa, nada sinto. 

É um estado vazio, onde me observo a observar. 

Nada concluo, porque em nada penso.

Nada sinto. Nada rodopiante, nada preocupante, nada que me preocupe, nada que me interesse.

É como se tivesse chegado ao ponto em que tenho tudo, por isso me parece nada. 

Nada mais a desejar, porque tenho tudo. 

Estou parada, em movimento ao mesmo tempo. 

Estou triste e alegre simultaneamente. 

Posso finalmente estar calma, reservada, sozinha comigo mesma, porque sinto que já tenho tudo.  Sem defesas, sem esforço. 

É como se assim me encontrasse, de tão perdida que estava. 

É como quando se mora muitos anos numa casa, em que se vão acumulando coisas inúteis. 

Muda-se de casa.  Tem de se esvaziar aquela outra, a primeira.  E também se entra na casa nova, vazia de tudo.  Até se ouve o eco da nossa voz quando falamos. 

Assim fiz; mudei de casa, tirei o lixo que tinha lá dentro e entrei na casa nova onde tudo está vazio. 

Agora, oiço apenas o eco da minha voz. 

As paredes, com janelas amplas para o infinito, onde me basta apenas espreitar, varandas livres para me debruçar, sem medo de cair. 

É assim, quando se está em liberdade total, que vem ao de cima aquela tristeza que sempre tivemos e só agora, devagarinho, se atreve a aparecer; sem raiva, sem dor, nem rancor. 

Espreita e não sabíamos que a tínhamos. 

Até ao momento em que temos de lidar com ela. 

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Há 14 anos, um texto escrito que reflete exatamente quem sou.  Não como estava na altura, mas sim quem sou.  Passados todos estes anos,  esta continua a ser a minha essência, feita de muita liberdade, de tantos silêncios, que agora até as palavras doem.  E lá no fundo, tanta coisa dói  tanto, que no espaço de 14 anos fui mascarando dor.

Foi muito bom ter encontrado este texto e ter remexido nas centenas de cds que tenho em casa.

Não há passado, não há futuro. Há apenas este presente que dói. Agora já sem mascaradas, sem distrações, sou assim.

E está tudo bem.