# Não sou capaz de meditar

Uma frase que ouço tantas vezes.
Parece tão difícil! Quando observamos quem medita e vemos aquela paz, aquela serenidade! Claro que também queremos.
E tentamos.
Nem cinco minutos e já nos dói tudo, inclusivamente a alma e a cabeça, de tanto tentar não pensar.
Pronto. Se calhar, não sou capaz de meditar…

E assim nasceu este Workshop.

Workshop Meditar

Vamos lá?
Ver o que é isto de “meditar”. O que é isto de que tanta gente fala como uma forma de bem estar e que não consigo fazer?

Aqui fica a página do Facebook do Cowork da Praia, onde nos vamos encontrar.
Combinado?

#silêncios

Tem havido tantos silêncios. Silêncios que eu nem sabia que existiam.

Às vezes, esses espaços eram preenchidos com palavras ou letras.  Durante muitos anos tinha sido assim.  De repente, os silêncios apareceram, vindos de todo o lado.

Dou comigo a pensar como vou comunicar – que é algo que tanto amo – com tantos silêncios?

É.  Pensava eu que comunicar era preencher esses silêncios.  Porém, se for atrás do meu sentir, estou a gostar mais de ouvir.

Quando dói, parece que dói mais, porque ecoa mais no silêncio do que nas palavras.  Era desses silêncios que tinha medo, desse eco.  Do eco de dores amplificadas.

Agora, quando dói, dói.  Não há como escapar a essa dor. Já não quero escapar a essa dor.  Quero honrá-la e dar-lhe colo; ao fim e ao cabo, ela faz parte de mim.

Sei que a dor não fica sempre; bom, a alegria também não;  ou a zanga.  Tudo chega, tudo vai embora.

Como um malabarista, é ir lidando, devagarinho, com tudo o que surge.  Ganha-se músculo depois;  primeiro, é preciso mesmo ver e ouvir o que podemos usar para os nossos malabarismos da vida.

silence

Nesta altura, são os silêncios que me encantam.  E brotam, assim, naturalmente.

 

#dia da mulher (?!)

Não nos tratem como estúpidas, hoje.
Não nos tratem como vítimas, não nos achem coitadinhas, ou “mulheres coragem” ou sei lá o quê. Hoje é um dia como outro qualquer.
Mulher é o feminino de homem – e com esta questão óbvia, que não merece qualquer ponderação, pois pondere-se.
Somos seres humanos, todos. Há “homens coragem” , há mulheres violentas, há homens sensíveis, há mulheres frias e calculistas. Há de tudo, sem qualquer preponderância no género do ser humano que nos habita.

Nasci mulher, amo esta mulher que me habita; sou romântica e não gosto de o admitir; gosto de uma flor, mas hoje não.
Tenho vivido nos últimos tempos, talvez anos, num mundo feminino e isto não tem uma só interpretação.
Tenho socializado com homens e mulheres, no entanto, tudo tem sido feminino, sensível, encantador, mágico mesmo.
Não levanto o meu braço em luta, hoje.
Baixo os dois, olho com carinho e ofereço o meu colo, como mulher – a mãe terra que me habita – e sou a primeira a deitar-me no colo que fiz para mim.

Digo sim à mulher que sou: quando choro, quando grito e me zango, quando me dói sei lá onde, quando amo. Quando amo e me afasto dos que amo, só pela antecipação da dor de os perder. Quando fujo e me escondo – tantas vezes de mim mesma. Digo sim. Digo tantos sins à sensibilidade que tenho e que escondo por detrás de uma coluna vertebral ereta, de uma postura de força que nem sei de onde me vem.

Trate-se das vítimas, num outro dia, por favor. Há pessoas que sofrem todos os dias do ano e há dias, sítios, locais, entidades e ocasiões próprias para o fazer.
Hoje, olhem-nos nos olhos. Sim, mulheres também.
A ver se todos conseguimos sentir este mulherismo que há em nós, a miríade de cores que se entrança cá dentro.

No meio disto tudo, por favor, não nos tratem como estúpidas e coitadinhas, hoje, nem como guerreiras amazónicas capazes de tudo pela sua tribo e leoas, pelas suas crias.

Homens e mulheres, somos todos completos como somos e seria delicioso se hoje se celebrasse a união entre o masculino e o feminino, homem e mulher, unidos.

Afinal, somos feitos da mesma carne, do mesmo pó e são as diferenças que nos aproximam, que nos atraem; são as diferenças que fazem de nós seres melhores.

Se hoje apenas nos olhássemos nos olhos!

le mepris