# Não sou capaz de meditar

Uma frase que ouço tantas vezes.
Parece tão difícil! Quando observamos quem medita e vemos aquela paz, aquela serenidade! Claro que também queremos.
E tentamos.
Nem cinco minutos e já nos dói tudo, inclusivamente a alma e a cabeça, de tanto tentar não pensar.
Pronto. Se calhar, não sou capaz de meditar…

E assim nasceu este Workshop.

Workshop Meditar

Vamos lá?
Ver o que é isto de “meditar”. O que é isto de que tanta gente fala como uma forma de bem estar e que não consigo fazer?

Aqui fica a página do Facebook do Cowork da Praia, onde nos vamos encontrar.
Combinado?

#aim to please

Percebi coisas.

Só através da maneira como me relaciono com os outros e os outros comigo,  percebi, entendi mesmo que gosto de agradar e tenho tendência para procurar “pedaços partidos para consertar” – broken pieces to mend.

Assim vejo os pedaços partidos dentro de mim que chocalham quando me zango; por causa de tanto chocalhar, não os ouvia bem e por aqui têm estado mais de cinco décadas, até que durante anos – talvez cinco ou seis – tudo chocalhou demais até gritar aos quatro ventos : “deixem-me em paz!”.  E gritava mesmo. Não sei bem a quem me dirigia, mas era um lamento bem audível.

Percebi coisas.

Claro!  De tanto chocalhar, foi preciso amenizar, senão nem eu me ouvia a mim mesma e gritava por cima da voz dos outros.

Mas faria tudo isto sozinha?  Creio que não.  Por isso adoro pessoas.  São elas que me trazem notícias de mim.

Parei mais de cinco anos só para me ouvir, tal era a barulheira.  Parei literalmente.  Sentada no meu sofá horas a fio. Ainda o faço.  E gosto.

Entretanto, vou sentido a vontade de sair e gosto de sair só.

Ando a namorar-me!

sozinha

 

#love sells #o amor vende

Às vezes faltam-me palavras para explicar esta minha forma de sentir, talvez porque seja recente. Talvez.

É um facto que o amor “vende”.  Sobretudo se a palavra for usada como tag (etiqueta), então é inegável, mesmo.

E, claro,  também as canções de amor “vendem”, os poemas de amor “vendem”, as histórias de amor sempre “venderam;  simplesmente, o princípio chega-nos ao contrário.  Tudo tem muito mais impacto se, na realidade,  se trata de desamor.

Para mim, e sobretudo nesta fase da minha vida, sentir amor não é intenso, como a paixão,; diria que é mais doce, frágil, subtil.  Não nego a paixão. Claro que existe.

Porém, sinto que se estimula o desamor, alguém que sofre por amor… lamento, mas não é amor.  Pode ser desejo, paixão, ou o simples fruto de uma necessidade individual de alguém que ainda não consegue sentir-se preenchido estando só.

É que cada vez faz mais sentido para mim que só mesmo quando estamos completos sozinhos, é que aparece alguém que, por seu lado, estará também muito feliz só, e ambos resolvem juntas as felicidades individuais.

Claro que esta minha perspetiva não é  muito popular.   Prefere-se o “normal” amor tipo Romeu e Julieta,  uma história de ficção, em que as personagens são dois adolescentes – muito bem descrito por Shakespeare – com as hormonas aos saltos, naturais da idade deste Romeu menino e desta Julieta menina.

E andam os adultos deste mundo a sonhar com histórias de desamor, canções de desamor, vidas inteiras de desamor.

E eu suspiro.  Pronto.  Mais uma.

 

#silêncios

Tem havido tantos silêncios. Silêncios que eu nem sabia que existiam.

Às vezes, esses espaços eram preenchidos com palavras ou letras.  Durante muitos anos tinha sido assim.  De repente, os silêncios apareceram, vindos de todo o lado.

Dou comigo a pensar como vou comunicar – que é algo que tanto amo – com tantos silêncios?

É.  Pensava eu que comunicar era preencher esses silêncios.  Porém, se for atrás do meu sentir, estou a gostar mais de ouvir.

Quando dói, parece que dói mais, porque ecoa mais no silêncio do que nas palavras.  Era desses silêncios que tinha medo, desse eco.  Do eco de dores amplificadas.

Agora, quando dói, dói.  Não há como escapar a essa dor. Já não quero escapar a essa dor.  Quero honrá-la e dar-lhe colo; ao fim e ao cabo, ela faz parte de mim.

Sei que a dor não fica sempre; bom, a alegria também não;  ou a zanga.  Tudo chega, tudo vai embora.

Como um malabarista, é ir lidando, devagarinho, com tudo o que surge.  Ganha-se músculo depois;  primeiro, é preciso mesmo ver e ouvir o que podemos usar para os nossos malabarismos da vida.

silence

Nesta altura, são os silêncios que me encantam.  E brotam, assim, naturalmente.

 

#despertar

“Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.

Carl Jung, A Prática da Psicoterapia