# canções de desamor

. é extraordinário o número de músicas que ouvimos, desde pequenos, como “as eternas canções de amor” .

. na realidade, são canções de desamor, com descrições dramáticas e trágicas de “como te amo” e “tu não me amas nada”, e por aí vamos  .

. quando vi esta canção – “it can’t be love unless it hurts” – acabei por sorrir , confesso, com bastante condescendência .

. não pela melodia, mas obviamente só pelo título,  é mesmo preciso ser-se  muito condescendente .  “vá pronto, são novas, não pensam ” .  “ainda sentem, depois dos 30, as emoções das paixões adolescentes”, que, essas sim, eram de sofrer e morrer de amor – normalmente ressuscitávamos no dia seguinte pra ir para a escola .

.  há quem continue a criar música – porque vende, claro – em que amor é sinónimo de dor e se não houver dor, não é amor (?!!?) .

. por muito que goste da canção que Salvador Sobral cantou na Eurovisão, não vejo como é que alguém pode amar pelos dois .  é mais uma canção de desamor .  se um deles ama pelos dois, então há um membro do casal que não ama .  isto é amor?

. explicando o meu ponto de vista, amor não é sinónimo de dor, obsessão é sinónimo de dor;  paixão é um fervor que desaparece e pode não ser amor .  gostar de alguém não significa que essa pessoa goste de nós  da mesma maneira e isto também não é amor .

. e poderíamos ir por esse mundo fora,  buscando frases bonitas – há tantas, tantas – em que se fala de amor .  amor não é sinónimo de dor e se doer, certamente será qualquer outra emoção,  porém amor não é .

 

# chorar

. quando eu chorar, não me peças para não o fazer .

. não me digas que estou nervosa, que isto vai passar .

. quando eu chorar, empresta-me um pedacinho do teu colo e escuta .

. não me digas que está tudo bem . diz-me antes que sabes que é difícil, seja lá o que for .

. empresta-me o teu colo para eu poder ser a tristeza que, às vezes,  há em mim .

. empresta-me o teu olhar, para me veres chorar.  não faz mal .

. quando eu chorar, não me digas que amanhã vai ser diferente . diz-me antes que estás comigo, que sabes que custa – não importa o quê .

. não me dês lições de alegria, quando a minha alma precisa das lágrimas para se lavar e enxugar .

. depois, eu sei que a tristeza vai . e, se tu estiveres comigo durante toda esta limpeza da alma, é tão mais fácil ser frágil e tão mais bonito . chorar

#desistir

desistir

. é muito sábio saber desistir .

. a persistência, sabendo , sentindo que o caminho não é por ali, transforma-se em teimosia e por isso vale a pena desistir, parar .

. agora somos “treinados” e ensinados por um sem número de “coaches” a não desistir . mas, como assim?

. há momentos para desistir, sim e nenhum desses momentos é de cobardia, e se fosse?

. não vejo o problema de se escutar a alma e o corpo, no momento em que os pensamentos e as emoções convergem e se percebe claramente que é preciso desistir, é fundamental desistir .

. há momentos para isso .

. há momentos para a tristeza, que há anos eu própria não sabia que existia . e não falo de depressão, falo do oposto da alegria, que é… a tristeza .

. bem vindos à tristeza que, não faz mal a ninguém e vai embora, no momento em que serenamente, a vemos, conversamos com ela e a deixamos ir .

 

A malta cansa-se!

De como, afinal, a vida – eis a grande descoberta – tem de tudo!

Tem alegria e tristeza, claro! Tem positividade e tem negativismo.  Tem gente que nos faz bem e tem gente com quem nos damos menos bem.  Há de tudo, como na mercearia.

E, como me aborrece o positivismo forçado e bacoco de certos bloguistas (agora bloggers já não se usa)  surge a minha rulote de sandochas, com a sabedoria de quem, não dormindo à noite e depois de uma noite bem regada, é capaz de ser mais sábio do que quem , sim, escreve com palavras bonitas, mas é só isso.  Agora está na moda que tudo é tão bom, que não podemos parar para chorar, porque sim, porque faz bem – e não, não é depressão. É uma coisa simples chamada tristeza, que vale a pena amar tanto como a alegria.  Salvem-me deste horror de ir à luta com tanta força, que a primeira pessoa a levar somos mesmo nós.