#o novo que chegou

. continuo a rejeitar a “luta”, sabes? aquela ideia bacoca que sim, vamos lá à luta e ao cansaço e, no fim, sempre aquela réstia de “Fé”.  E pela Fé é que vamos.

. parece que é bonito escrever-se que lutamos e batalhamos para a pessoa que agora somos. não sei, realmente. só sei e sinto que, cada vez mais, avanço e evoluo através de um cada vez mais profundo conhecimento de mim mesma, que nada tem a ver com luta, mas sim, abdicar dela . é, na realidade, uma opção .

. nesta fase da minha vida, não sinto necessidade de lutar . e ressinto-me quando vejo e calho a ler os agora cada vez mais populares ” e vamos prá frente … que assim é que se luta… e que a fé é que me guia”.

. pois é.  neste novo que aí vem – aliás, tudo é novo, todos os dias, cada minuto é novo, cada dia é novo, o “ser novo” não é calendarizado pelo “final de um ano” – neste novo que aí vem, dizia,  sei que me vou escutar e assim saberei escutar melhor os outros.

.  não me interessa ir à luta e viver de cansaços que já passaram . não me apetece .

. sinto-me em todas as valências –  tal como o arco-íris e as suas cores. não me apetece ser corretinha, muito pacíficazinha, sei lá. às vezes zango-me, outras vezes choro, porque estou triste, outras ainda deixo-me ficar tranquila.  e essa é mesmo a questão – deixo-me ficar, permito-me estar, como estou, seja lá como for .

. conselhos e frases feitas não tenho para dar. às vezes lá me surgem, tento evitar que me saiam em forma de conselho que, por muito lindo que seja e, certamente bem intencionado, não se aplica a todos e a todas .

. por isso, agora que vem aí o novo, não te vou aconselhar a que lutes, ou que descanses, ou que ponderes, ou que escutes, ou que tenhas fé .

. gosto muito de me seguir e estou a aprender a regar o meu próprio jardim, as flores que me habitam, a tormenta das ondas que tantas vezes me fazem rebentar . e assim, está tudo bem .

. afinal, quem nos ama, ama com tudo o que carregamos, tudo o que trazemos cá dentro .

. então, boas entradas, literalmente, cada vez mais para dentro, mesmo que seja só pela curiosidade de descobrir que estalactites e estalcmites nos habitam .

. eu gosto. gostas?

mde

#rain

Nola:  Desculpa, não te vi aí.

Harry:  Não precisas de pedir desculpa.

Nola:  Devo parecer louca .

Harry: Loucura é alguém amar a chuva assim!

Nola: Não adoras?

Harry:  Não.

Nola: Detestas chuva?

Harry:  Sim.

Nola:  Como é que alguém pode detestar chuva?

Harry:  Tenho medo de encolher.

in Série de TV  “A Verdade sobre o Caso Harry Quebert”  no AMC. 

 

 

#ah, o amor, esse grande querido!

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Nota: Uma pequena carta para Kahlil Gibran, pronto, só aqui entre nós.

Querido Kahlil: 

Concordando com o facto de que, enfim,  amamos em qualquer altura do ano,  se não te importas , vamos então concordar que discordamos com a utilização da palavra “brota” neste contexto, pode ser?  

Era só isto. 

Beijinhos do pessoal da Rulote.”

XOXO

#sexy

Sou muito mulherista  = adoro ser mulher  .

Ouvi esta palavra “mulherismo“, inicialmente em Inglês “womanism“, e achei que é mesmo a minha pele.

Perfeito. Tem tudo a ver comigo.

Recordo que, desde pequena, adoro ver cabelos compridos numa mulher e sempre quis ter cabelos compridos.  Sempre achei super sexy e sensual.

Um fenónemo social curioso, que me pôs a pensar, porque nunca tinha visto esta perspetiva como dado adquirido:  normalmente – salvo raras exceções – as mulheres Portuguesas, ao ultrapassar “uma determinada idade” cortam o cabelo.  Isto é, então, justificado como sendo “por uma questão mais prática”.    Foi com uma mulher que veio do Brasil que tive esta conversa comparativa; dizia ela que no Brasil não se vê tanto isto de cortar o cabelo à medida que vamos envelhecendo.

E, recordei que há cerca de 18 anos conheci, em Lisboa,  uma colombiana, na casa dos seus sessenta anos, com um cabelo comprido maravilhoso, uma mulher poderosa, com uma sexualidade latente – sexualidade, sim, chegava a ser “socialmente incorreta”, principalmente depois de beber um bom vinho branco.  Adorei conhecê-la, adoro estas rebeldias que são inatas – não são comportamentos reativos, criados para aborrecer ninguém. Esta mulher era completamente livre das opiniões dos outros e também não tinha qualquer intenção de magoar ninguém.

Há cerca de três anos conheci uma outra mulher, neste caso francesa, também na casa dos sessenta e muitos, com cabelo comprido e uma liberdade física também extraordinária.  Poderosa e muito carismática.

Quando me refiro a “cabelo comprido”,  não estou a definir se o “comprido” é pelos joelhos, ou pelas costas abaixo – o “cabelo comprido” a que me refiro é simplesmente solto,  bem tratado (obviamente) e abaixo da linha dos ombros; depois, claro, o tamanho em si varia de mulher para mulher.

Este passado fim de semana, estava a ver uma série norte-americana em que uma das mulheres executivas – com poder – na série , tinha o cabelo comprido, sim, era loira e tudo (muitos estereótipos aqui); no entanto, tinha o cabelo apanhado atrás, como o penteado de uma bailarina clássica.

Foi como se, algures, uma cortina se abrisse e vi muito claramente.  Melhor, senti, claramente.  Lembro-me de pensar: será que os homens que esta mulher lidera – como personagem na série –  a respeitariam da mesma forma, se ela não tivesse o aspeto austero do cabelo apanhado num carrapito , como o das minhas avós?

Se ela soltasse aquela bela melena loira e fosse trabalhar com o cabelo solto, brilhante, bonito, saudável, seria “vista” pelos seus colegas homens (e mulheres!) da mesma maneira?

Fica a pergunta, em jeito de reflexão.

O meu sentir é que,  uma das maneiras de as mulheres se permitirem ser assexuadas a partir de uma “certa idade”, é precisamente, cortando o cabelo, porque “já não tem idade para usar cabelo comprido“. Ou então,  o cabelo comprido está associado a um lado mulherista mais selvagem e, principalmente nalgumas profissões,  uma mulher quer-se “séria”.

Que pena!  Sentir-se sexy é bom para toda a vida, idade e profissão!