. digamos que estou em obras de renovação, manutenção e afins.
. não tenho pressa e também não vou a lado nenhum .
. 2020 vem aí. bom ano, boa casta .

. the only person who likes change is a wet baby .
. digamos que estou em obras de renovação, manutenção e afins.
. não tenho pressa e também não vou a lado nenhum .
. 2020 vem aí. bom ano, boa casta .


Percebi coisas.
Só através da maneira como me relaciono com os outros e os outros comigo, percebi, entendi mesmo que gosto de agradar e tenho tendência para procurar “pedaços partidos para consertar” – broken pieces to mend.
Assim vejo os pedaços partidos dentro de mim que chocalham quando me zango; por causa de tanto chocalhar, não os ouvia bem e por aqui têm estado mais de cinco décadas, até que durante anos – talvez cinco ou seis – tudo chocalhou demais até gritar aos quatro ventos : “deixem-me em paz!”. E gritava mesmo. Não sei bem a quem me dirigia, mas era um lamento bem audível.
Percebi coisas.
Claro! De tanto chocalhar, foi preciso amenizar, senão nem eu me ouvia a mim mesma e gritava por cima da voz dos outros.
Mas faria tudo isto sozinha? Creio que não. Por isso adoro pessoas. São elas que me trazem notícias de mim.
Parei mais de cinco anos só para me ouvir, tal era a barulheira. Parei literalmente. Sentada no meu sofá horas a fio. Ainda o faço. E gosto.
Entretanto, vou sentido a vontade de sair e gosto de sair só.
Ando a namorar-me!

Tem havido tantos silêncios. Silêncios que eu nem sabia que existiam.
Às vezes, esses espaços eram preenchidos com palavras ou letras. Durante muitos anos tinha sido assim. De repente, os silêncios apareceram, vindos de todo o lado.
Dou comigo a pensar como vou comunicar – que é algo que tanto amo – com tantos silêncios?
É. Pensava eu que comunicar era preencher esses silêncios. Porém, se for atrás do meu sentir, estou a gostar mais de ouvir.
Quando dói, parece que dói mais, porque ecoa mais no silêncio do que nas palavras. Era desses silêncios que tinha medo, desse eco. Do eco de dores amplificadas.
Agora, quando dói, dói. Não há como escapar a essa dor. Já não quero escapar a essa dor. Quero honrá-la e dar-lhe colo; ao fim e ao cabo, ela faz parte de mim.
Sei que a dor não fica sempre; bom, a alegria também não; ou a zanga. Tudo chega, tudo vai embora.
Como um malabarista, é ir lidando, devagarinho, com tudo o que surge. Ganha-se músculo depois; primeiro, é preciso mesmo ver e ouvir o que podemos usar para os nossos malabarismos da vida.

Nesta altura, são os silêncios que me encantam. E brotam, assim, naturalmente.
. cobertor sobre as pernas .
. óculos (quase) na ponta do nariz .
. ler, ver, sentir .
. delícia de fim de semana .
. abri a Vogue que tinha acabado de trazer para casa .

. fica um bocadinho do mundo de que todas fazemos parte : mulheres inspiradoras, em jeito de artigo online, na Vogue de Setembro passado .

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